maio 25, 2009

Vida e morte de um Neófito! Desviados no tráfico!

Por Thiago Ferreira

O nascimento é um rompimento. O pequeno feto que por nove meses esteve se preparando, que teve total cuidado e proteção na barriga de sua mãe, se vê rompendo este mundo de extremo cuidado, para então conhecer o inóspito mundo do lado de fora. Tal ser pequeno e indefeso sai de um mundo cheio de proteções e passa para um mundo onde o corpo formado e preparado durante a gestação começa a respirar por conta própria, sentir frio, calor, se adaptar as cores e luzes, aos cheiros, resumindo, usar todos os seus sentidos para interpretar e vivenciar o mundo a sua volta.

Na noite em que Nicodemos procurou Jesus, o mestre disse que ele teria que nascer de novo para ver o reino de Deus. Avaliando por esta óptica, qual seria o processo de fecundação e de gestação para se nascer de novo? Qual seria o esperma divino que fecundaria a noiva (igreja) ao ponto de gerar nascidos do reino de Deus?

Fico a imaginar que este esperma divino é a graça, que quando fecundada na noiva tende a gerar verdadeiros filhos, nascidos do reino. Tal fecundação ocorre quando a graça encontra terreno bom e condições propícias, onde a sementinha consegue fecundar e crescer formando um neófito, feto divino que precisa de total cuidado da noiva, que precisar ser protegido e cuidado pela mãe igreja, que precisa deste período para seu preparo e formação, até o ponto em que como um novo ser nascido da graça enxergue o mundo com sua própria visão, que enxergue as luzes da espiritualidade, sinta o calor do espírito, etc.

O papel da igreja na concepção e no cuidado de tais fetinhos, é fundamental e de extrema importância.

O que me motivou a escrever sobre este assunto foi um fato que ocorreu alguns dias atrás quando andava na periferia onde nasci e moro. Vi um jovem que outrora esteve na igreja, com seu semblante e vida totalmente desfigurados pelo tráfico de drogas. Sei que isto ocorreu não somente por negligência daqueles que se dispusera a cuidar dele enquanto neófito, mais acredito que tal negligência tem parte no processo. A proposta evangélica atual, que preconiza uma busca incessante por manifestações do “poder de Deus”,a mentalidade imediatista das novas gerações, juntamente com a incapacidade da igreja de demonstrar para os novos convertidos que vida com Deus é um processo paulatino, que cada dia se “converte” um pouco, que a metanóia é um processo de fé que exige entendimento da graça para se prosseguir sem o peso da acusação, faz com que os fecundados pela graça muito antes de ter capacidade para interpretar e vivenciar as coisas do reino morra em sua motivação e vida.

Os fetinhos divinos têm morrido antes mesmo de vivenciar a liberdade, de se ler a bíblia sem os legalismo e doutrinas de outrora. Eles tem conhecido a graça do “eu aceito Jesus”, mais em médio prazo tem vivido a DESgraça do legalismo .

Sei que este jovem em especial, quando aceitou Jesus esteve como um louco a orar, tinha um fervor impressionante, mais pelo que tudo indica este fervor não durou ao ponto de entender que “a sua graça me basta”, sendo assim viu a igreja como uma farsa, uma decepção, um lugar que o encheu de “promessas” e não foi capaz de cumprir nenhuma delas.

O movimento pentecostal moderno de forma inconseqüente tem focado em promessas na qual o individuo faz o caminho contrario da humildade e simplicidade preconizado por Jesus. Os crentes dos dias de hoje parecem mais os “invencíveis”, do que os menores entre os homens, ou seja, os servos. Esta molecada acaba crendo na pregação irresponsável de tais denominações, e a bíblia se tornando um kit de maquiagem na qual o individuo maquia seu orgulho, sua vaidade, seu legalismo, e acaba morrendo antes de conhecer a plenitude da graça. Não quero dizer que o fato do individuo aceitar Jesus publicamente não seja o primeiro passo, ou não seja importante, muito pelo contrário, a confissão é o primeiro passo de humildade e de servidão, mais é só o primeiro passo.

Faço um apelo às denominações por este Brasil, principalmente os que se encontram nas periferias, que sejam responsáveis. Tais neófitos precisam de cuidados e de pregações que os incentivem a introspecção e autoconhecimento. Pregações que os encorajem a viver e enxergar a vida de uma forma mais bela e contemplativa. Pregações que demonstre o quanto somos insuficientes e incapazes, pois a humildade quebra as defesas do medo, e quando o medo de não ser alguém "respeitado" cai, cai todas as armas.

maio 24, 2009

Faça diferente...



As pessoas ao seu redor gostam da igreja ou pensam da mesma forma? Porque é por você que elas formulam a imagem de igreja.

Mude, faça a diferença!

maio 22, 2009

Objeção a reflexão filosófica (Parte I)

Por Daniel Grubba


A interação entre filosofia e cristianismo é uma relação de amor e ódio. Desde os primórdios da fé cristã até os dias modernos esta parece ser uma questão ainda não resolvida.

Os que advogam a irrelevância do conhecimento filosófico para o cristianismo, naturalmente se armam de uma série de argumentos filosóficos e sem querer tornam-se contraditórios, pois argumentam mediante um processo que condenam. E foi por esta ironia que o filósofo e matemático francês Blaise Pascal disse: “Zombar da filosofia é, em verdade filosofar” (PASCAL apud SAYÃO, 2001, p.10). Isto é, todo aquele que ridiculariza o exercício filosófico, somente o faz através de uma reflexão filosófica. Entretanto, a questão é a qualidade desta reflexão, se é consistente ou não. Vejamos então as principais objeções dos críticos da interação entre o cristianismo e a filosofia.

Objeção bíblica

A primeira objeção sempre parecer ser esta: textos bíblicos. E é natural que seja assim. Isto porque este tipo de crítico da interação cristianismo-filosofia, pela pobreza de alcance de sua argumentação filosófica, sempre se valerá de algum versículo que encerre a discussão sem maiores reflexões. Seu método argumentativo, em virtude da preguiça intelectual, se dá através do caminho mais rápido e fácil: a recitação de versículos antiintelectuais.

Vejamos apenas dois textos comumente usados para refutar o estudo da filosofia: Colossenses 2.8 e 2 Coríntios 3.6

Colossenses 2.8 – Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.

Uma leitura superficial parece sugerir uma condenação paulina acerca do exercício filosófico. Todavia, um estudo mais detalhado do contexto histórico-religioso da igreja em Colossos deixa claro que Paulo não estava condenando a filosofia em si, mas um tipo específico de filosofia: a filosofia vã e enganosa. De acordo com as evidências externas e internas do texto, é possível que Paulo esteja condenando um sistema de pensamento sincrético, que mistura elementos judaizantes e gnósticos . Além do mais, Paulo era um ex-fariseu, erudito da principal academia judaica do primeiro século (escola de Hillel) e um profundo conhecedor da filosofia e literatura grega (Atos 17.27, 28; Tito 1.13,14). Cabe uma pergunta aqui: Como Paulo poderia condenar algo que, em algumas ocasiões serviram para ele como “ponto de contato” com a cultura específica de um determinado local, conforme mostra com exatidão o registro de sua homilia com os filósofos de Atenas (Atos 17.15-34)?

2 Coríntios 3.6 – Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.

Este texto parece ser o mais usado contra aqueles que procuram desenvolver uma vida intelectual no ambiente cristão, principalmente os que declaram seu “amor pela sabedoria” (significado etimológico da palavra filosofia). Eu mesmo cansei de ouvir esta ameaça: irmão cuidado, a letra mata! Na verdade, eu sei que meus irmãos não fazem por mal, pois a sinceridade de sua crítica ao intelectualismo reside no fato de que no processo do acúmulo cognitivo do saber, muitos cristãos se tornam inoperantes e improdutivos no pleno conhecimento do Senhor (2 Pedro 1.5-9). Todavia, uma coisa é a experiência do fracasso espiritual de alguns, outra complemente diferente é usar um texto fora de contexto. Trata-se, pois, de um argumento falacioso.

Como este breve ensaio não tem objetivo exegético, basta elucidar que o texto bíblico em questão não se refere a reflexão filosófica ou ao estudo diligente das letras, mas aborda o perigo do legalismo. Isto é, ao fatal apego a Lei mosaica para a salvação. E por esta razão, a afirmação de Paulo é contundente em dizer que a “letra mata”. A perícope de 2 Co. 3.1-18 é uma questão teológica tipicamente paulina. De acordo com Rick Nañez “a letra a que Paulo se refere é simplesmente a lei da antiga aliança” (2007, p.70).

Via Blog Soli Deo Gloria

Vazios divinos.

Por Ricardo Gondim


Vivo dos vazios, das vaidades, dosvestígios vesgos das vertigens.
Vislumbro a verdade, mas vago por vales cavos da dúvida.
Visto as vestes da virtude, mas voltoao vil viver dos vermes.
Viso o véu do devir e só vejo o vulgar do universo.
Versifico versos vividos e viroem missiva divina.
Soli Deo Gloria.

maio 21, 2009

Momento "Jazz"....(4)

O ‘ethos’ que ama.


Quando a razão busca até o fim encontra na raiz dela o afeto que se expressa pelo amor e acima dela, o espírito que se manifesta pela espirituallidade. E no termo de sua busca encontra o mistério. Mistério não é o limite da razão mas o ilimitado da razão. Por isso, o mistério continua mistério em todo conhecimento que se sente desafiado a conhecer sempre mais. A razão científica nos ratifica esse percurso. Ela começou com a matéria, chegou aos átomos, desceu mais, aos elementos sub-atômicos, à energia e aos campos energéticos, ao campo de Higgs, origem de todos os campos, ao big-bang, há 15 bilhões de anos, para terminar no vácuo quântico, que é o estado de energia de fundo do universo, aquela fonte alimentadora de tudo que existe, misteriosa e inominável, que o conhecido cosmólogo, Brian Swimme, identifica como presença de Deus.

Concretamente, o mistério é o outro. Por mais que se queira conhecê-lo e enquadrá-lo, ele sempre se retrái para um mais além. Ele é mistério desafiador que nos obriga a sair de nós mesmos e a nos posicionar diante ele. Quando o outro irrompe à minha frente, nasce a ética. Porque o outro me exige uma atitude prática,ou de acolhida, de indiferença ou de rechaço. O outro significa uma pro-posta que pede uma res-posta com res-ponsa-bilidade.

O limite fatal do ethos que procura reside em ter reservado parco lugar ao outro. O paradigma ocidental sempre teve dificuldades com o outro. Por isso, ou o incorporou, o submeteu ou o destruiu. Negando o outro, perdeu a chance da aliança, do diálogo e do mútuo aprendizado com ele. Vigorou o paradigma da identidade sem a diferença, na esteira do pré-socrático Parmênides.

O outro faz surgir o ethos que ama. Paradigma deste ethos é o cristianismo das origens, o paleocristianismo. Este se diferencia do cristianismo oficial e de suas igrejas, porque em ética foi mais influenciado pelos mestres gregos do que pela mensagem e prática de Jesus. O paleocristianismo, ao contrário, dá absoluta centralidade ao amor ao outro, para Jesus, idêntico ao amor a Deus. O amor é tão central que quem tem o amor tem tudo. Ele testemunha esta sagrada convicção de que Deus é amor(1Jo 4,8) e o amor não morrerá jamais(1Cor 13,8). E esse amor é incondicional e universal, pois inclui também o inimigo (Lc 6,35). O ethos que ama se expressa na lei áurea, testemunhada por todas as tradições da humanidade: "ame o próximo como a ti mesmo"; "não faça ao outro o que não queres que te façam a ti".

O ethos que ama funda um novo sentido de viver. Amar o outro é dar-lhe razão de existir. O existir é pura gratuidade. Não há razão para existir. Amar o outro é querer que ele exista porque o amor faz o outro importante."Amar uma pessoa é dizer-lhe: tu não morrerás jamais (G.Marcel), tu deves existir, tu não podes morrer". Quando alguém ou alguma causa se fazem importantes para o outro, nasce um valor que mobiliza todas as energias vitais. É por isso que quando alguém ama, rejuvenesce e tem a sensação de começar a vida de novo. O amor é fonte perene de valores.

Somente esse ethos que ama, está à altura dos desafios atuais porque inclui a todos. Faz dos distantes, próximos e dos próximos, irmãos e irmãs.Tudo o que amamos, cuidamos. Abre-se, assim, ao ethos que cuida.

Revisão gramatical feita pelo clube das loiras!! Sem preconceito!! rs rs!

ABREVIATURA- ato de se abrir um carro de policia;

ALOPATIA - dar um telefonema para a tia;

BARBICHA - boteco para Gays;

CÁLICE - ordem para ficar calado;

CAMINHÃO - estrada muito grande;

CATÁLOGO - ato de se apanhar coisas rapidamente;

COMBUSTÃO - mulher com peito grande;

DESTILADO - aquilo que não está daquele lado.


DETERGENTE - ato de prender indivíduos suspeitos;

DETERMINA - prender uma garota;

ESFERA - animal feroz amansado;

HOMOSSEXUAL - Sabão utilizado para lavar as partes íntimas;

LEILÃO - Leila com mais de 2 metros de altura;

KARMA - expressão mineira para evitar o pânico;

LOCADORA - uma mulher maluca de nome Dora;

NOVAMENTE - diz-se de indivíduos que renovam sua maneira de pensar;

OBSCURO - 'OB' na cor preta;

QUARTZO - partze ou aposentzo de um apartamentzo;

RAZÃO - lago muito extenso porém pouco profundo;

RODAPÉ - aquele que tinha carro mas agora roda a pé;

SAARA - muulher do Jaaco;

SEXÓLOGO - sexo apressado;

SIMPATIA - concordando com a irmã da mãe;

SOSSEGA - mulher desprovida de visão;

TALENTO - característica de alguma coisa devagar;

TÍPICA - o que o mosquito te faz;

UNÇÃO - erro de concordância muito frequente (o correto seria um é);

VATAPÁ - ordem dada por prefeito de cidade esburacada;

VIDENTE - dentista falando sobre seu trabalho;

VIÚVA - ato de ver a uva;

VOLÁTIL - sobrinho avisando onde vai.

Dica via email por Giovano Marson

maio 20, 2009

Paradoxo do Nosso Tempo

Por George Carlin


Nós bebemos demais, gastamos sem critérios.
Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados,lemos muito pouco, assistimos TV demais e raramente estamos com Deus.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver, adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho.
Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo,mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos cada vez menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'.
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar'delete'.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão aqui para sempre.
Lembre-se dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.
Lembre-se de dizer 'eu te amo' à sua companheira(o); e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, ame-se... ame-se muito...
Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.
Por isso, valorize você mesmo, sua família e as pessoas que estão ao seu lado, sempre!!!

maio 19, 2009

O DIABO MORA NA PORTA DA NECESSIDADE

Por Caio Fabio

Jesus disse aos judeus que Deus poderia “das pedras suscitar descendência à Abraão”. Entretanto, Ele negou-se a transformar pedras em pães. Mas, paradoxalmente, iniciou Seu ministério transformando água em vinho.
Portanto, quando da tentação—ocasião na qual negou-se a transformar pedras em pães—a ênfase não recai na violência essencial, do ponto de vista físico, que tal “transformação” implicaria, mas sim nas razões que o induziam a ver naquilo uma tentação.
Ora, Ele estava sendo sugestionado pelo diabo, e, em toda sugestão que carregue uma motivação errada, não importando o que seja, seguí-la, é sempre algo mal.
Aqui, neste ponto, fica claro que a questão de Jesus para não realizar aquele feito, não era de natureza moral e nem teológica, mas sim existencial. Seguir aquela sugestão seria mal tanto em razão da motivação—de um lado, fome; de outro, demonstração de poder—, quanto também em razão do motivador: o diabo.
De fato, o diabo mora na esquina onde a necessidade e oferta se encontram sob o patrocínio da fome.
O interessante, naquele episódio, é que o diabo não faria nada, e não fez nada, exceto sugerir que Jesus fizesse algo por Si mesmo. Isto porque o diabo precisa do indivíduo para realizar qualquer coisa. O diabo não realiza nada na Terra sem o homem.
O mal não é pré-definido, necessariamente. Às vezes ele o é, e todos sabemos quando ele já chega com sua própria cara. Na maioria das vezes, entretanto, o mal não tem cara de nada mal, exceto pelo fato que ele realiza o casamento da necessidade instintual ou existencial, com a oferta de algo que seria anti-natural, mas realizaria um alívio imediato.
As tentações que nascem do instinto e da existencialidade são poderosas. Aliás, essas são as únicas tentações que de fato tentam.
O erro, nesse caso, está na entrega da necessidade à sugestão que vem de fora. É esse ceder à sugestão aquilo que conflitua a alma. Isto porque, sozinho, Jesus jamais transformaria pedras em pães a fim de se alimentar. Mas quando o diabo se imiscui no ambiente da necessidade, então, a simples fome virou tentação.
Ter fome não é mal, ao contrario, é bom. Pouca coisa é tão ruim quanto fome zero. Viver sem fome pode ser muito ruim, e quem já sofreu de algum tipo de inapetência sabe o que estou falando.
O equilíbrio da existência está entre a fome e o pão. Pão sem fome é um horror, e fome sem pão é uma desgraça.
É justamente nesse limbo que o diabo mora!
O diabo não vive do que é mal, mas sim de transformar o que é bom em algo ruim, pois que, tal coisa, se realizaria como concessão dele. O diabo adora pretender fazer concessões. Ele sabe que são essas concessões ilegítimas aquilo que torna até o ato de comer pão em algo culposo.
Na realidade aceitar algo como concessão do diabo é aquilo que torna qualquer coisa em algo ruim.
Nesse caso, o corpo treme de fome, e as pulsões de estranhos desejos se somam à necessidade, e a alma mergulha a caminho da transgressão a si mesma.
Pior do que a fome é o pão que carrega a sugestão do diabo!
Jesus se viu livre da tentação não negando a necessidade (o pão), mas afirmando a necessidade superior do ser: comer também e, sobretudo, a Palavra de Deus.
Negar a fome aumenta a tentação. Assumi-la, esvazia a tentação.
Quando você estiver com “fome”, e for algo normal, não negue a fome—afinal, depois de 40 dias e noite quem não estivesse morrendo de fome seria anormal—, ao contrário, respeite-a e chame-a pelo nome, você mesmo, e não deixe que ninguém se torne senhor de sua necessidade.
Jesus saiu dali e foi comer. E comeu comida de anjos. Mas só comeu o que era bom porque negou-se a comer conforme o cardápio do diabo.
Nenhuma necessidade humana é pecaminosa. A pecaminosidade da necessidade é apenas fruto da sugestão e de como ela vem.
Ora, assim como é com Deus, assim também é com o diabo, pois a questão não é o quê, mas sim como.
Sim, eu repito: a questão não é o quê—posto que todas as coisas provêm de Deus—mas sim “como”, posto que nem tudo o que é bom, é bom sempre, pois todo bem se torna em mal quando o patrono da solução é o diabo.
Assim, não se preocupe com a sua fome, mas apenas com as “soluções” que você encontra.
E lembre-se: Nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus.
Caio
2003
Copacabana

Conversão

"Que coisa é a conversão da alma, senão um homem dentro de si ,e ver-se a si mesmo."
Padre Antônio Vieira

maio 18, 2009

Contradições evangélicas

Por Éverton Vidal


Pregava empolgado um pastor, sobre os homens de Deus do passado e a necessidade de imitar seus exemplos. Em seguida, emocionado e emocionando contava fatos da vida de heróis da fé evangélica retirados de um livro que depois indicaria. A conversão de Lutero. A vida de oração de Calvino. Spurgeon, Withfield, Wesley, pastores, missionários, teólogos – homens que se dedicaram à Igreja, ao estudo da Bíblia e da fé. Sentado em um dos bancos da frente, empolgado eu também dizia “amém”. Gosto de exaltar bons exemplos e de procurar segui-los. Tenho uma lista de santos por cujas vidas agradeço a Deus. Verdadeiros dons dados pelo Senhor a nós.

Porém, no prosseguir da mensagem, a ladainha legalista de sempre. Em suma, o “santificai-vos” entendido não como se desvestir da justiça própria e caminhar os passos do Cristo, mas uma mera prática de coisas exteriores e, naquele dia, uma ênfase especial, no ‘abandonamento’ da caipirinha e do cigarro. Eu compreendo essa repulsa. Sei de muitos lares que acabaram pelo álcool. Sei de enfermidades e gente sofrendo pelo fumo. E mesmo quem bebe pouco, já teve do que se arrepender quando exagerou na dose. Sei dos perigos e dos estragos no corpo, na família e sociedade, e a Igreja tem motivos de sobra pra levantar a voz e alertar sobre as ameaças dessas substâncias.

O que não vale é julgar destino eterno de ninguém, por conta do que fazem ou fizeram, ainda que sejam pecados. Não vale corromper o evangelho colocando-o como simples seguimento externo de práticas uniformizadoras de denominações. Evangelho é vida interior. E o que contamina o homem é aquilo que sai de dentro do seu ser. Não se pode tratar como incrédula uma pessoa só porque não resiste ao cheiro do velho barreiro com gelo, limão e açúcar, ou odor da fumaça do tabaco.

Também não vale ludibriar o povo, citando “são fulano” em defesa daquilo que se expõe, mas ocultando outras atitudes e singularidades do mesmo. Sim, é contraditório citar um “herói da fé” pra dar peso e autoridade ao que se prega, enquanto se exclui, trata como menos ou condena ao inferno os irmãos que, não poucas vezes, crêem ou praticam as mesmas “coisas erradas” daquele que é citado.

É contraditório exaltar, por exemplo, a vida e obra de Lutero em um sermão em que se trata um apreciador exagerado de vinho e cerveja, ou seja, um beberrão, como condenado ao inferno. O reformador, cujos atos a igreja evangélica exalta é o mesmo que certa vez escreveu, “ontem aqui bebi mal e depois fui obrigado a cantar; bebi mal e sinto-o muito. Como quisera haver bebido bem, ao pensar que bom vinho e que boa cerveja tenho em casa, e mais uma bela mulher... Bem farias em mandar-me daí toda a adega bem provida do meu vinho e, o mais freqüentemente que puderes, um barril de tua cerveja”. E noutra ocasião, “ainda bem que Deus considerou a bebedeira um pecado pequeno; tem que considerar; afinal, quem pode parar com isto?”

Spurgeon, o príncipe dos pregadores, fumava charutos e era até acusado por alguns de fazer apologia ao fumo. “Fumava para a glória de Deus”, segundo ele. E muitos pastores evangélicos que apressadamente lançam pecadores ao abismo o citam como se fora Bíblia. É comum ouvir pastores esculacharem católicos por orarem pelos mortos e crerem no purgatório. Ora, são os mesmos que citam CS Lewis “com louvor”, ou apresentam Agostinho aos seminaristas como um evangélico de batina, ignorando todos os outros pontos de suas teologias. E estes exemplos são apenas gotas em um oceano de contradições.

Que fique bem claro que tenho em grande estima esses irmãos de fé de outros tempos e encontro neles força e inspiração para caminhar minha jornada. Com alguns compartilho até os maus hábitos. É totalmente sadio e aconselhável exaltar bons exemplos de pessoas sem que se aceite a totalidade de seus atos, crenças e idéias, mesmo quando são irmãos no Cristo. O que se deve condenar é a maquiagem da realidade, mal que se torna cada vez mais comum, isto é, a pregação de semi-verdades. Omissão pra passar uma imagem também é pecado, desses que se faz não fazendo. "Verdade besuntada com mentiras", coisas que o povo ensinado e acostumado a não questionar acaba aceitando como palavra de Deus.

Via Blog Lion of Zion

SE BEBER NÃO DIRIJA, SIGA O EXEMPLO...


Fonte: Enviado via email ,por Giovano( um grande amigo)!