dezembro 26, 2009

Para o Reveillon



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Menos do Mesmo



Pense em ser diferente e fique rico, pense em ser o melhor e fique frustrado.

100% das inovações acontecem porque as pessoas estão p da vida com alguma coisa. Mudanças não tem nada a ver com análise de mercado, estratégia e planejamento.

Querida(o) Amiga(o),

Você já deve ter visto aquele famoso comercial de televisão onde a Pepsi pede para as pessoas beberem de dois copinhos brancos marcados apenas com as letras A e B. Em um dos copinhos as pessoas tem Pepsi no outro as pessoas tem Coca Cola. Após experimentar os dois copinhos, as pessoas - sem saber qual é o copinho de Coca e qual é o copinho de Pepsi - escolhem a Pepsi (pelo menos é o que aparece no comercial da Pepsi). No final do teste, a Pepsi anuncia, "Tá vendo, a voz do povo é a voz de Deus, e a voz do povo tá dizendo que Pepsi é melhor que Coca Cola". No teste do quem é o melhor, a Pepsi faturou, mas, no teste da rua, do boteco, do restaurante, do supermercado, quem ganha sempre é a Coca Cola. Apesar do esforço centenário da Pepsi em virar o jogo, a Coca Cola continua nadando de braçada nos tonéis de cola.

O erro da Pepsi é tentar ser melhor que a Coca Cola. Não vai rolar. Marketing não é sobre ser o melhor - tanto porque melhor é muito relativo. Marketing é sobre ser DIFERENTE.

Vence quem for PERCEBIDO como DIFERENTE e não quem for percebido como MELHOR.

Seja DIFERENTE! Tenha CORAGEM, e seja DIFERENTE; ainda que DIFERENTE signifique tecnicamente que você seja pior que o seu concorrente. Lembre-se: pior também é relativo.

Mesmo que o resto da empresa diga que o negócio é Six Sigma, benchmarking, qualidade, corte de custos, eficiência da máquina administrativa - nada contra essas práticas; se você quer liderar algum mercado, seja DIFERENTE.

No mundo das pessoas perfeitas o melhor produto talvez vença. O fato é que não vivemos no mundo perfeito (ainda bem), mas no mundo REAL, onde o melhor produto não ganha nunca. No mundo real quem ganha é quem é DIFERENTE.

Vou falar por mim.

1. O meu smartphone é o iPhone. Teoricamente ele não é mais barato que os coreanos, e nem tem todas as funções e botões dos finlandeses. E daí? Eu não me importo. O meu smartphone é e sempre será o iPhone. Por que? Porque ele é diferente. Ele tem uma lojinha na web chamada iTunes que é diferente da lojinha quadrada da Nokia; ele tem um jeito de manusear fotos e vídeos diferente de todos os outros. A expansão das suas funcionalidades é diferente de todos os modelos existentes. Até a caixinha do produto e o seu manual de instruções são diferentes de tudo que havia sido lançado até então no mercado de celulares. Enfim, o bicho é diferente em todos os aspectos. Não sei se é melhor ou pior, e não me importo com isso, uso porque é diferente.

2. O meu notebook é um Sony Vaio. Teoricamente ele não é barato que o note da Dell, ou melhor que o note da HP, não me importo com isso. Na hora da compra ele venceu porque tinha uma oferta DIFERENTE. Fiquei entre ele e o note da HP, mas ele venceu porque tinha 2 gigas de memória a mais, um disco mais rápido, um brilho maior. Se ele é o melhor da parada? Não sei, não interessa, não vou visitar o site dos caras para descobrir, eu comprei porque a oferta deles era diferente. Ponto.

3. Ontem eu papei a pizza da Oficina da Pizza na Vila Madalena. Os fãs do lugar adoram a pizza de lá, os mais fanáticos dizem que a melhor de São Paulo. Não, não é a melhor de São Paulo. E se for também não me importo, não dá para saber, não dá para medir. Eu fui lá porque a pizza de lá é diferente. No formato, no sabor, na aparência do lugar, na maneira que o garçom te serve. A música ambiente é diferente, a decoração do ambiente é diferente, o cheiro, as pessoas, tudo é diferente. O lugar é diferente, nem pior nem melhor, diferente. Mesmo porque a qualidade de uma pizza é diretamente proporcional ao tamanho da sua fome.

4. Dias atrás eu fui assistir ao badalado Inimigo Público com Jonnhy Deep. Na sala ao lado estava rolando um filme francês daqueles que são premiados em algum festival de Cannes por aí. Teoricamente, o filme francês sobre filosofia e questões da vida é melhor que um filme sobre gangsters. Mas e daí? Inimigo Público é dez. É melhor que o francês? Não sei, não me importo, esse não é o ponto. O filme é diferente. Filme diferente vence sempre.

5. O videogame do filho do meu amigo é o Wii da Nintendo. Os meus tempos de tarado por videogame (Megamania, Full Throtlle, Star Wars) já eram (pelo menos por hora), mas ainda assim eu sei distinguir um game graficamente melhor de um game graficamente sofrível. Os games do Wii são terríveis medíocres feios e chatos, mas estão dando uma lavada em vendas em cima dos games do XBox e Playstation 3 com seus gráficos melhores e de alta qualidade. Por que? Porque todo mundo quer saber o que tem de tão diferente nesse tal de Wii. É que nem com as sandálias Croc, que de tão diferente que eram, viraram febre mundial, e agora, sumiram.

6. A luminária que fica debruçada sobre o meu notebook é de uma marca xingue-lingue safada meio profissa comprada duas semanas atrás na C&C Materiais de Construção. Eu não comprei a luminária mais barata, ou a mais cara, ou a de melhor qualidade. Eu comprei a luminária que tem uma envergadura X que me permite debruçá-la sobre o meu notebook. A luminária é meio feinha, 40% mais cara que as outras que estavam em exposição, mas é diferente de todas as outras na sua capacidade de envergar (será que existe esse verbo? Não sei, mas é um verbo diferente).

É claro que eu encontraria luminárias mais baratas que a luminária que eu comprei no shoppping na C&C se eu tivesse investido duas horas do meu tempo para camelar no shopping da 25 de março. É claro que eu encontraria luminárias mais baratas que as luminárias da 25 de março se eu camelasse por duas horas no bairro do Brás. É claro que eu encontraria luminárias mais baratas que as luminárias do Brás se eu camelasse por duas horas na Santa Ifigênia. Mas quem é que realmente faz isso? Quem realmente esgota todas as possibilidades de comprar o produto mais barato antes de fechar uma compra? 0,5% da população? E ainda assim, podemos sempre encontrar opções mais baratas que as opções mais baratas.

Você sempre vai encontrar um peixe maior ou mais barato no oceano se você procurar. Mas eu simplesmente não tô afim de fazer uma peregrinação como essa para comprar uma luminária. Venceu quem tinha a envergadura diferente.

Vence sempre quem é DIFERENTE, e não quem é melhor.

A verdade é: EXISTE POUCA OU NENHUMA COMPARAÇÃO de produtos no ponto-de-venda. O cliente compara no máximo duas ou três características e olhe lá. Na grande maioria dos casos o cliente não entende nada do que está sendo falado pelo vendedor, pelo material do ponto de venda ou pela embalagem do produto. Na grande maioria dos casos o cliente escolhe o produto a partir de uma ÚNICA DIFERENÇA.

Nunca foi tão difícil comprar uma televisão. Veja o nome de um dos modelos de televisores em exposição nesse momento no Submarino: Televisor 29" Ultra Slim Line com Crystal Clear 29PT9467C Philips. Se o nome não ajuda, as especificações técnicas são um show de horror, confira: Smart Picture, Smart Sound, Imagens naturais expandidas em tela cheia 4x3, Entrada Vídeo Componente, Entrada S-Vídeo, Incredible Surround, Processamento de imagens 50Hz, 60Hz Analógico, Fácil de usar Controle Smart Picture e por aí vai.

Depois a Philips não entende porque iPod e iPhone vendem mais que os produtos deles.

A estratégia de ser melhor que o concorrente leva você a fazer seis coisas porque o concorrente faz cinco coisas.Leva você a oferecer seis lugares porque o concorrente oferece cinco. Leva você a vender por 98 reais porque o concorrente vende por 99 reais.

Pare de pensar sobre ser melhor que os outros. Vence sempre quem é DIFERENTE.

O melhor morre estressado, o diferente vive, cresce, sorri, respira e se diverte.

O mundo dos negócios é coisa para maluco. Seja maluco!

Aproveite o momento quadrado em que vivemos para ser maluco.

Estamos cercados de pessoas conservadoras. A juventudade de vinte e poucos anos é ultra conservadora. Pergunta para eles o que eles querem mudar, e você vai obter uma resposta do tipo, "eu quero mudar a versão do meu ipod, eu quero mudar o tamanho da televisão do meu quarto, eu quero mudar de nariz, de namorada, de carro".

Aproveite essa maré de conservadorismo em que vivemos que diz que devemos levar tudo com calma, sem provocar rupturas, desentendimentos, blá blá blá, e seja louco, maluco, esquisito, DIFERENTE.

Por onde começar?

100% das inovações que você vai provocar na sua vida vão acontecer porque você tá p da vida com alguma coisa. Mudanças não tem nada a ver com análise de mercado, estratégia e planejamento. Inovação, mudanças, tem a ver com RAIVA, SANGUE QUENTE. Steve Jobs tava p da vida com os fabricantes de CDs jurássicos por não terem a capacidade de inventar alguma coisa prática para ajudá-lo a carregar os milhares de CDs que ele tinha na sua casa; então ele foi lá e inventou o iPod.

Portanto, comece por mudar as coisas que te deixam p da vida.

O mundo em que vivemos tá muito quadrado. O discurso da direita é igual o discurso da esquerda que é baseado no discurso do centro. Os ambientalistas querem as mesmas coisas que os presidentes das instituições financeiras. O roqueiro cabeludo canta a mesma letra de corno cantada pela dupla sertaneja. O teu avô quer a mesma coisa que você. Até com a sogra você já tá concordando 100%. Para complicar, o bandido tem cara de polícia, o político tem cara de padre, o padre tem cara de político.

Que mundo chato!

Saudades dos anos oitenta. A década das Diretas Já, o único movimento de mobilização nacional que realmente conseguiu alguma coisa nas últimas décadas. Saudades dos anos oitenta; a década dos grupos musicais bregas que tinham alguma coisa interessante para dizer além de cantar música de corno. "Tô P da Vida" foi título de música cantada aos domingos no Faustão, Gugu e outros bichos. Se você não viu, confira o clip da música no site da BIZ.

Bom, deixa eu baixar a minha bola e tirar o meu time de campo. O negócio agora é teamwork, democracia, inteligência emocional, relações interpessoais, politicagem, tapinha nas costas, six sigma, flip chart, visão, missão, valores, planinho, tudo certinho, tudo combinadinho, tudo coloridinho.

Boa sorte para você! Eu quero ver qual será a bela desculpa que você vai dar ao seu filho quando ele te perguntar o quê você estava fazendo quando o Lula disse que o Sarney tinha que permanecer no Senado, e você concordou com o Lula.

Ou

Qual vai ser a bela desculpa que você vai dar para os seus filhos quando eles te perguntarem qual foi a inovação que você criou naquela "empresa que tinha que atender as necessidades dos clientes, colaboradores, trabalhar pelo bem estar social, desenvolver produtos de qualidade que atenda as necessidades dos nossos acionistas, visando o comprometimento de todos os nossos colaboradores com a excelência da execução dos nossos serviços embaseado pelos projetos coordenados pela comitê para assuntos que não tem nada a ver com nada".

A pergunta é: quais mudanças você deveria provocar no mundo perfeito que você vive?


Ricardo Magalhães - Biz Revolution

dezembro 21, 2009

Carta Aberta aos meus amigos em 2009 ... para 2010.

Por Thiago Ferreira dos Anjos

Belo Horizonte, 21 de dezembro de 2009.


Gostaria de evidenciar o quanto 2009 foi um ano bom apesar de todos os desvios e desencontros ocorridos, na qual aqueles que fazem parte de minha intimidade sabem. Neste ano que se finda sou grato a Deus por ter aumentado minha capacidade de apreciar e aprender conviver com os desencontros, confesso que nunca em minha historia passei por um momento tal conturbado e de forma tal sóbria. Claro que existiu em diversas vezes cansaço, um pouco de dor, mais tem uma paz que aparece do nada , e sem duvida vem de Deus.


Também gostaria de dizer que meu único projeto de vida para 2010, não é quantitativo, pois é único, mais no que tange qualidade também não sei se sou capaz de realizá-lo por inteiro(risos), acho que não, mais cabe a mim tentar. Meu projeto de vida para 2010 e tentar buscar primeiro o reino de Deus de todo o meu coração e meu entendimento, tendo em mente que o resto será acrescentado. Projeto ambicioso, pois eu sei o quanto sou falho e o quanto sou incapaz de realizar este projeto, mais sei também que Deus como um grande amigo ira me direcionar, e me mostrar a melhor forma de realizar tal meta da melhor forma possível.


Digo também que Deus já me deu as quatro primeiras estratégias para o começo desta caminhada, e a primeira é: Neste ano de 2010 creia em Mateus 25:31 a 46.

Quero encontrá-lo no olhar do oprimido, do que tem fome, do que esta preso, e não há melhor lugar para tal.


Em segundo, ame sua família: Lembre-se sua filha( tenho uma filhinha de 7 meses, linda!!!) cuide dela , não distancie, mostre para ela o quanto ela é importante, cuide de sua família, os ame com toda a sua razão, digo razão, pois o amor verdadeiro é uma decisão racional.


Em terceiro, mostre para os seus amigos e irmãos de caminhada, o quanto eles são e foram importantes para você, em todo tempo e em todas as dificuldades.

Passei parte de minha adolescência como um jovem muito orgulhoso e muito “independente”, hoje um pouco mais velho vejo o quanto isso é utópico e acima de tudo danoso para a alma, e pretendo continuar seguindo o conselho de uma musica do Los Hermanos, que diz;


“Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz”


Ou seja, viver sem querer sempre a vitoria, entendendo que mais importante que vencer e ter com quem conviver.


Em quarto é ultimo lugar, quero continuar em comunhão verdadeira em uma igreja, sem se preocupar com as liturgias, e religiosidades. Pode paracer estranho esta opção estar em ultimo lugar, mais para mim, a unica forma de vencer isso que sempre foi um fardo, é estar entre os oprimidos, de bem com minha familia e com meus amigos. Isso me faz mais leve e melhor. Pode parecer estranho mais é um caminho para a vontade de Deus( digo ... para a vontade de Deus em minha vida).


Espero que em 2010, eu tenha o mesmo carinho e respeito de todos os que de uma forma ou de outra me estenderam suas mãos em 2009, espero em Deus que todas as coisas continuem a se resolver como tem sido, e espero acima de tudo que em 2010 possamos ter uma comunhão ainda mais forte e verdadeira, reforçando assim os laços e acima de tudo, reforçando a nossa força como corpo de Cristo.


Esta carta será enviada para todos os meus amigos como forma de gratidão e carinho.

Pensamento sobre o amor

"Não existe um investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em passatempos e pequenos confortos, evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sombrio, imóvel, sufocante – ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai tornar-se inquebrável, impenetrável, irredimível. A alternativa para a tragédia, ou pelo menos para o risco da tragédia é a danação.
O único lugar fora do céu onde você pode manter-se perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno."

C. S. Lewis em “Os Quatro Amores”

Via Blog Solomon 1

dezembro 20, 2009

QUANDO A VAIDADE, A AMARGURA E A PLATÉIA ENLOUQUECEM ATÉ GENTE COM POTENCIAL PARA O BEM...

Por Caio Fábio

QUANDO A VAIDADE, A AMARGURA E A PLATÉIA ENLOUQUECEM ATÉ GENTE COM POTENCIAL PARA O BEM...

Minha mulher estava lendo uma revista evangélica que me é enviada e o fazia em estado de perplexidade ante o artigo de uma pessoa considerada séria, e que dizia que apesar de o Neo-Pentecostalismo ser a expressão mais completa da total ausência do Evangelho, todavia, dizia ela, tem-se de admitir que tais movimentos têm promovido, com suas teologias de sucesso e prosperidades, um espírito de ascensão social, o qual, é inegavelmente positivo, segundo ela; para depois concluir que quem se opõe a tais coisas, sejam pessoa criticas, negativas e sem Graça e Misericórdia.

Então Adriana me leu o texto da revista...

Ao concluir disse mais ou menos o seguinte [com palavras e modos dela, que não são fáceis para mim o reproduzir com exatidão]:

Mas esta pessoa aqui não é séria?... Como ela pode estar tão vendida assim?... O que ela está fazendo é um desserviço ao Evangelho... Ela está jogando pra platéia... Está corrompendo a consciência dos frágeis... Ou não entendeu o Evangelho ou está em engano...”

Achei patético também... Deu-me pena...; mas depois muita compaixão.

O que a pessoa dizia era que se o fator sócio-econômico mostrar indicadores de ascensão social, então, mesmo que seja algo feito em nome de Jesus, mas que seja a própria antítese do Evangelho, pelo fenômeno do estimulo e resultado de sucesso no mercado [...]; sim, por tais realizações o anti-evangelho estaria justificado [...]; enquanto os que acusam tais coisas de serem os piores inimigos da Cruz de Cristo justamente por falarem em nome de Jesus aquilo de Jesus nada tem, são vistos como os negativos e sem Graça de Deus na vida.

O que a pessoa de fato dizia, simplificando, é que o critério mundano de ascensão sócio-econômico, tem supremacia em importância sobre o Evangelho; e, com isto, afirma também que o eixo de seu amor mudou da eternidade para o mundo, para o mercado, para Babilônia, em sutil abandono do amor pela Nova Jerusalém; ou seja: deixou de dizer seja feita a Tua vontade assim na Terra como no céu; e passou a dizer: Que o padrão da Nova Zelândia e do 1º mundo nos alcancem a qualquer preço, ainda que seja pela via de um estelionato para com Jesus e o Evangelho.

Ou seja: aquilo que é importante diante dos homens e que Jesus disse que é abominação diante de Deus, para ela passou a ser o critério superior para determinar se algo é positivo ou negativo, sem entender que a inversão de tal valor corrompe o ser, arranca toda esperança da glória de Deus do coração, e, literalmente [...] enterra a pessoa no pó da terra; e, sem que ela note, tal hiper-valorização dos fenômenos terrenos, acabam por expulsar os últimos resíduos de esperança do coração...

Um dia a pessoa acorda e já não é...

E mais ainda sobre o artigo da revista cristã:...tudo o que a pessoa dizia era em nome do Cristianismo, e nunca em nome de Jesus; sim, nunca em nome do Evangelho; e por uma razão: lá no fundo ela sabe que é impossível.

A gente pode nascer filho de Deus, e, de repente, sem sentir, virar neto do 13º Apóstolo, o Pai do Cristianismo, o Vovô Imperador Constantino. Esse é o poder corruptor da Religião [...]; e que eu conheço muito bem; com certeza bem mais do que ela; e há muito mais tempo e em intensidade e profundidade que ela não sonha sequer avaliar...

Com muito desejo de que a verdade não gere amargura, mas quebrantamento sincero [...] — desejo a tal pessoa e a todo aquele que advogue a mesma causa irreconciliável com Jesus e com o Evangelho, que a Palavra da Vida prevaleça sobre a Vida sem Palavra, mas apenas com moralismos, de um lado, e, de outro, com um desejo imoral de ver positividade onde Jesus só veria miséria, é que me despeço com amor Nele,

Caio

10 de novembro de 2009

Lago Norte

Brasília

DF

Via site Caio Fábio

dezembro 16, 2009

ACERCA DA AUSÊNCIA DE DEUS

Por Caio Fabio


Quando um Filho nasce pela primeira vez a alguém, em geral, o pai ou mãe logo sentem medo de não conseguirem criar aquela criança.

Com o tempo a gente aprende que não é assim, e que não se corre o risco de matar uma criança a menos que se não a ame e deseje, do contrário, todo pai e mãe sabem como criar um filho, evitando assim que morra de inanição.

Depois surgem as angustias da educação, do estabelecimento de limites, e, sobretudo, a vigilância ante a suposta autonomia da criança, que, agora, por saber andar, julga que pode caminhar sozinha para todos os lugares.

Assim, na medida em que o tempo passe, as crises paternas vão mudando de contornos.

Sim! Até que se chegue ao tempo no qual o pai tenha que deixar o filho ir; e tenha que aprender a não mais interferir como um dia fez; e, além disso, tenha que aprender a crer que assim como foi com ele, o pai, quando ainda era filho, assim será também com o seu filho, até que se torne um homem em plenitude; e, assim, entenda seu pai.

Desse modo, chega o tempo quando já não se fala com os filhos todos os dias e nem o tempo todo quando se viaja.

Sim! Pois, os pais aprendem com os filhos na lembrança de como nós mesmos [os pais] sentíamos em relação aos nossos pais, na mesma fase da vida, quando éramos apenas filhos.

Bons pais são os que amam com senso de propriedade, sempre incentivando o filho a crescer para ser homem e pai; e, por isto, também sempre praticando a sabedoria que mede palavras e intervenções, a fim de que o filho aprenda as tarefas de um homem pleno, e, assim, fique preparado para as dificuldades da existência.

Ora, assim é Deus, assim é o Pai!

Quando éramos meninos as sarças ardiam, as colunas de nuvens nos seguiam, as torres de fogo iluminavam as nossas noites, os mares se abriam, as aves se entregavam a nós como refeição, as rochas nos serviam águas, os rios se abriam, as muralhas caiam, o sol parava, os exércitos inimigos viam anjos ao nosso lado, relógios atrasavam em nosso favor, águas viravam vinho, peixes assaltavam nossas redes, ventos e ondas fugiam de nossa presença subitamente, via-se Deus andando sobre águas ao nosso encontro.

Entretanto, quando deixamos de ser meninos, foi porque a Cruz nos emancipou, e, assim, tivemos que aprender a sermos filhos sem a presença do Pai como manifestação óbvia; e, por tal razão, tivemos de crescer a fim de sustentarmos um testemunho de ressurreição que somente nós mesmos vimos pela fé; e, mais que isto: que somente nós julgamos ter a importância das coisas essenciais, assim como um filho adulto sabe o que é essencial entre ele e seu pai.

... Até que se cresce para a percepção de que a presença do pai não é algo que acontece porque o pai esteja se manifestando como presente. Sim! Pois, possivelmente, um bom pai se torne melhor ainda para o seu filho depois que se vá do que enquanto esteja presente.

Pai cresce para se tornar uma presença invisível, porém, inafastável!

Meu pai se foi; porém, jamais irá; visto que se deixou em mim com tamanha força, que sinto todos os dias a sua presença de amor e sabedoria; e, eu mesmo, muitas vezes, sinto que vou assimilando a sua semelhança de modo involuntário; muito mais hoje do que quando ele estava ao alcance do telefone ou de uma viagem de avião.

Ora, assim é com o Pai!

Houve tempos em que sem Sua manifestação mais óbvia eu não O via; e, assim, chorava.

Hoje sei que Ele é e está. Sim! Sei que Ele vive em mim; e isto me dá liberdade sobre os dias e as horas, visto que em qualquer dia ou hora Ele vive em mim; e, por isto, sempre estou possuído Dele, até quando o vale é o da sombra da morte.

Hoje quase nunca os mares se abrem ou as aves se matam como comida para mim. O sol também não pára. Os rios precisam ser atravessados. Os exércitos se acampam e ameaçam; e a vitória é apenas não temê-los.

Quando Jesus chamou Deus de Pai, Ele também nos dizia que o caminho do homem com Deus é como o caminho de um homem com um pai que seja bom. Isto nos limites de cada coisa e conceito de bondade.

Quando a sopa ou suco escorria da boca de meu pai na UTI, e eu dizia: “Paizinho, perdão. Derramou!”; e ele apenas sorria e dizia com a boca torta: “É assim mesmo!” — eu não poderia imaginar que, naquela simplicidade, ele estaria me dizendo o que vale e o que é para um homem que deixou de ser criança faz tempo; pois, de fato, a gente cresce para aprender que é assim mesmo.

Ora, feliz é o pai que ensina isso e que vive para praticar o que professa. Afinal, assim fazendo, ele próprio emancipa definitivamente o seu filho.

Desse modo, a sutil presença do Pai, que, muitas vezes, é até interpretada como ausência, é um sinal de que é tempo de crescer.

Nele, que nos ama conforme o sentido de nossa vocação,

Caio

17 de agosto de 2008

Lago Norte

Brasília

DF

Via site Caio Fabio

dezembro 09, 2009

Da banalização do culto

Por Will


Em muita coisa a igreja atual está distante da espiritualidade vivida pela igreja primitiva. Da oração ao conceito e a valoração da Santa Ceia, tudo está muito destoante - tenho cá minhas dúvidas quanto à originalidade da igreja atual diante de tamanha disparidade.

Nas igrejas Católica Apostólica Romana, Ortodoxa e Anglicana, o culto é voltado, no todo, para os sacramentos. A igreja Anglicana ainda caminha em Cristo, mas de maneira claudicante, entretanto, como sabido, as igrejas Católica Romana e Ortodoxa, morreram em todos os seus aspectos litúrgicos e práticos - por isso a reforma. Porém, nas igrejas histórico-reformadas o culto verteu-se para a liturgia e, principalmente, para a pregação, contudo, quando olhamos estas comunidades, logo percebemos a morte da liturgia do culto, algo sem vida, que, em sua maioria, não move ninguém a nada, a não ser a um estado de monotonia constante (com raras exceções).

O movimento evangélico atual enveredou o seu culto para o eu. Das músicas cantadas à pregação, tudo está voltado para o umbiguismo evangélico-pós-moderno, é um tal de: "Olha pra mim"; "quero te ver"; "livra-me"; "socorre-me"; "abençoa-me" e etc.; o objeto do culto evangélico, a muito não é a pessoa de Jesus - isso porque julgamo-nos seus únicos servos na terra, os guardiões da tabula redonda divina.

No atual movimento pentecostal até a suposta busca desenfreada por poder nada mais é do que uma tentativa de gerar um alívio momentâneo das dores existenciais, bem como, produzir um sentimento de renovação do Espírito dentro do crente - algo que começa e morre no culto (pura superficialidade); sendo que o poder derramado em Pentecostes fez como que os crentes escapassem às barreiras do mundo, quais sejam: étnicas, culturais, religiosas, filosóficas ou políticas.

Segundo as instruções do Apóstolo Paulo aos Romanos (Romanos 12: 1-8), o culto (reunião em comunidade) nada mais é do que uma extensão da vida e não vise-versa; portanto, se os cultos estão mortos, frios ou seja lá o que for, isto deve-se ao fato de que as vidas daqueles que o fazem estão em estado de putrefação.

Ainda não sou a favor de uma nova reforma coletiva da igreja atual; penso que existem, ainda que poucas, igrejas (comunidades) que, com muitas dificuldades, vivem o "espírito" da igreja primitiva tanto no que tange ao culto como à práxis cristã.

Contudo, o movimento evangélico atual, este sim - independente de denominações ou confissões –, em seu espírito, está carente de uma reforma e se ela não acontecer urgentemente, ou ele morrerá - isso não quer dizer que deixará de existir, mas que estagnará - ou será, se já não o é, como a Igreja de Roma, mais um apóstata a ser combatido. É por esse motivo - e outros tantos - que tornou-se tão urgente a revisão da função da igreja enquanto instituição: Será que ela (instituição) tem servido como reduto da igreja de Cristo, ou tem sido mais um instrumento de Satanás, a fim de alienar a igreja do Senhor?

Em Cristo, que é o único alvo do culto,

Will

Via Blog Celebrai

dezembro 07, 2009

Você ama a Deus?

Por Ricardo Gondim

Você me perguntou se eu O amava. Sim. Não hesito: amo a Deus com o que me resta de força, intuição e siso. Confesso não compreender o significado real desse verbo. Como soletrar amor? Como posso amar quem nunca vi? O que conheço de Deus para dizer tal coisa? Para piorar, nada sei sobre o amor.

Mas meu amor por Deus, por algum motivo, se alastra em minha alma. Saí das formulações categóricas a seu respeito. Desdenho das descrições metafísicas de uma filosofia medieval, do rigor dos catecismos beligerantes, das lógicas fundamentalistas. Empolgo-me com Deus porque já não o percebo com objeto de estudo. Ele não está lá, em algum recôndito espiritual, transcendental, paradisíaco, nirvânico, esperando ser adulado, pesquisado, definido. Percebo Deus na vida, com tudo o que ela tem de beleza e de horror. Vejo Deus nos verdes matizados da floresta, no vigor dos mares, na poeira que a bruma espalha, nas mudanças bruscas do tempo. Eu o intuo também nos rostos sofridos, nas festas alegres, nas derrotas desesperadas e nos triunfos espetaculares.

Meu amor por Deus, não sei explicar, enraíza-se em minha alma. Quebrei as réguas legalistas da religião, elas sobrecarregavam meus ombros; eram jugos que me azucrinavam. Eu vivia com paranóia. Não o tenho como o Grande Olho, que tudo vigia e tudo cobra. Despedi o Deus intolerante com as inadequações, iracundo com os tropeços de homens e mulheres que, apesar de tudo, lutam pela vida. Diante de olhos paternos, tabus e interditos abrandaram, culpas infundadas e autocomiseração manipulada enfraqueceram. A religiosidade da sofreguidão empoeirou-se em minha alma. Rasguei as cortinas que só vazavam a luz mortiça de um mundo espiritual cruel. Adornei o tabernáculo da minha espiritualidade com vitrais coloridos. Convidei músicos. Recitei poesia. Quero transformar meu culto em festa.

Meu amor por Deus, com segurança, se intensifica. Aprendi que ele não é um títere. Tardei, mas aceitei que a história não está escrita e selada. Resignifiquei a liberdade como desafio para a responsabilidade. Voltei as costas para a Divindade que atropela, misteriosa, que esconde desígnios, que manipula fatos e que usa as pessoas para satisfazer projetos gloriosos. A linguagem hermética da teleologia, os paradoxos da teodicéia, o anacronismo da doutrina da predestinação sumiram da minha rede de sentidos. Sinto-me livre para relacionar-me com o Dançarino. Ele me convida para ser seu par na valsa do grande baile universal.

Meu amor por Deus, agora sei, tornou-se mais inspirado. Distancio-me de chavões, reluto contra os clichês que já usei para me convencer de convicções que nunca possuí. Ciente de meus sentimentos irregulares, eu me escondia na linguagem piedosa. Ah, como tentava ostentar o que não era. Assumi a fragilidade de minhas certezas. Engatinho na leveza dessa relação com o Amigo mais chegado que um irmão. Reconheço que em determinados momentos meu amor não passa de puro sentimentalismo - que também se mistura com militância e racionalidade. Sou assim, mas eu me sinto sinto liberto e feliz de saber que aprendo a amá-lo do meu jeito, sem despersonalizar-me.

Soli Deo Gloria

Via site Ricardo Gondim

novembro 23, 2009

Além Da Simplicidade - Mc Simpson

Impureza sexual: tem cura?

Por Guilherme de Carvalho

Outro dia tive uma conversa estimulante, mas também algo abaladora com um pastor, no final de uma palestra sobre educação. Na palestra eu havia mencionado um princípio do pensamento reformacional -- a ideia de que não há contradições estruturais na ordem criada. Assim, não há contradição essencial entre, por exemplo, a esfera da justiça e a da moral, ou entre a esfera estética e a esfera da fé, e assim por diante. Porém, uma das minhas alegações fez acenderem luzinhas no painel dos presentes, incluindo no do amigo pastor: a de que não haveria contradição estrutural entre as esferas biológica e psíquica e a esfera moral.

Ao término da exposição ele reagiu prontamente com uma questão muitíssimo prática: a tentação sexual: “Há pouco eu aconselhei um homem envolvido em adultério. O casal está aos poucos se refazendo, e a esposa está disposta a perdoar; quanto ao marido, ele deixou claro para mim que amava a sua esposa. Ele simplesmente foi fraco e caiu. Não lhe faltava amor; faltavam-lhe forças para resistir à tentação sexual. Mas isso não implica em uma contradição entre o nível biológico e o nível moral?”.

Sem dúvida, as impressões do pastor refletiam um lugar-comum da imaginação evangélica: a tentação seria uma fraqueza interna ao campo sexual, a ser vencida por meio de uma resistência ao desejo sexual, seja por uma intervenção diretamente biológica (arrancar os olhos, ou outra coisa, eventualmente) ou por uma equilibração psíquica. De um modo ou de outro, espera-se que o desejo sexual distorcido seja controlado. Mas se, enfim, perdemos o controle, é porque falta disciplina no trato com o desejo. Precisamos disciplinar o corpo, basicamente; dobrá-lo pela supressão do desejo.

Pois bem; essa é uma das mais falsas verdades que os cristãos gostamos de espalhar. É uma verdade, sim, que o corpo deve ser disciplinado, e o desejo controlado; não é o “domínio próprio” um fruto do Espírito? Entretanto, é uma baita falsidade que possamos controlar os desejos assim mecanicamente, ou mesmo “cirurgicamente”.

Imagine o mundo sem o pecado
Façamos alguns exercícios de imaginação cristã; imaginemos o mundo sem pecado. Nesse paraíso, Adão tem desejos de todos os tipos, incluindo os desejos sexuais. Esses desejos têm uma base instintiva biopsíquica, e são acionados automaticamente por sinais óbvios: a forma do corpo da fêmea, certas cores, certos cheiros etc. Adão está sujeito a tais estímulos exatamente como qualquer outro macho de sua espécie, sendo que sua sexualidade, nesse nível, tem forte analogia com a de outros animais.

Porém, Adão não é apenas um animal, feito de pó como todos os outros. Adão é o pó com o sopro divino, é o portador da imagem de Deus. De algum modo essa imagem está impressa no mesmo pó do qual as outras criaturas foram feitas, e entre as características particulares que Adão apresenta está a sua função moral. Adão é capaz de um altruísmo perfeito, muito além do altruísmo de cães e golfinhos. Ele é capaz de amar de forma pura, reconhecendo na forma da fêmea não um corpo adequado ao acasalamento, mas a superfície material de uma pessoa; não como mero objeto, mas como evento dotado de profundidade pessoal, como um Tu que precisa ser amado incondicionalmente por meio do trato que se dispensará ao seu corpo.

Teríamos aqui uma contradição estrutural? Haveria aqui um choque da dinâmica biopsíquica contra a dinâmica moral? Penso que temos excelentes razões para crer que não; não apenas razões teológicas (tudo o que Deus criou é bom), mas também filosóficas. Vou lançar mão aqui da noção de sobredeterminação utilizada em ontologia (a teoria sobre a natureza da realidade). O conceito não é muito complicado, mas exige alguma atenção.

Sobredeterminações ontológicas
A ideia de sobredeterminação ontológica é a ideia de que a dinâmica própria de um nível superior da realidade não contradiz, mas sobredetermina a dinâmica de um nível inferior. Um exemplo clássico disso é a relação entre a dinâmica biótica seus processos químicos subjacentes. A matéria, como se sabe, se associa ou se desassocia segundo leis físico-químicas, e essas leis por si mesmas não produzem seres vivos. Por outro lado, seres vivos apresentam processos exclusivos em relação aos seres inanimados; processos como a reprodução, o metabolismo, e a conservação de informação complexa.

Naturalmente, para realizar todos estes processos, os seres vivos dependem de processos físico-químicos, que seguem leis físico-químicas. Porém, se as moléculas que compõe a estrutura de uma célula viva apenas obedecessem a leis físico-químicas, ela se desfaria. As moléculas da célula obedecem às leis físico-químicas dentro de restrições e especificações impostas pela dinâmica biológica do organismo, segundo modos absolutamente improváveis, de um ponto de vista puramente químico. Quando as moléculas da célula seguem apenas as leis físico-químicas, sem nenhum controle biótico, ela se desfaz -- porque, obviamente, ela está morta. Dizemos, portanto, que há na célula uma sobredeterminação das leis bióticas sobre as leis físicas.

A sobredeterminação moral
Ora, o mesmo vale para outros níveis da realidade. Há uma sobredeterminação psíquica sobre os processos biológicos do ser humano; e uma sobredeterminação sociológica sobre processos psíquicos; e no final da escala, uma sobredeterminação religiosa e moral sobre todos os níveis estruturais do ser humano. As normas de um nível superior de função humana não contradizem as normas do nível inferior, mas lhe dão formas particulares, habilitando-as a existirem no nível superior. Pense nas moléculas da célula: pela “obediência” às leis bióticas, elas deixam de ser apenas “matéria”, e se tornam parte de um ser vivo.

Ora, o que queremos dizer com isso é que é preciso ser um animal para ser um homem; no entanto essa é uma condição “necessária, mas não suficiente”. A vontade moral e a capacidade humana de amar opera por meio de sua estrutura sexual, mas a transcende, elevando o corpo do homem à condição de espírito, de pessoa. Porém, assim como a célula pode morrer entregando suas moléculas às leis brutas do mundo físico-químico, o homem pode morrer moralmente entregando o seu corpo aos estímulos biopsíquicos. O humano no homem pode ser negado e perdido por falta de vontade.

Onde se localiza, então, a falha da impureza sexual? Não no nível sexual, seja em seu aspecto biológico ou psíquico, mas no nível moral. Quando pecamos por impureza sexual, não pecamos por excesso de sexualidade, por excesso de desejo sexual, ou por excesso de estímulo sexual (primariamente falando), mas por falta, por ausência. E aqui estamos simplesmente sendo Agostinianos: o pecado é a privação do bem. O problema da impureza é a ausência moral, não o excesso sexual.

Um Truísmo?
Estaríamos nós dizendo o óbvio? Sim e não. Sim, porque isso é simplesmente o que as Escrituras e a tradição ensinam. Não, porque isso não é de modo algum a teologia moral popular no meio cristão. Pensemos na conversa com o pastor, que mencionamos antes. Ele afirmou com grande convicção que o marido traidor, no fundo, amava a sua esposa. Ele caiu por ser fraco, não por falhar no amor.

À luz do que acabamos de considerar, no entanto, eu diria que não. Com certeza, o marido traidor amava a sua esposa; mas ele não a amava o suficiente. Na verdade, ele não caiu por fraqueza sexual (ou excesso de desejo sexual), mas por falta de amor. Não foi isso o que nos disse o Apóstolo? “O amor não faz mal ao próximo”. Jesus não caiu e não cairia nessa tentação, não porque não tivesse os mesmos desejos sexuais, mas porque ele saberia olhar para cada pessoa envolvida com amor de verdade.

Sejamos específicos: aquele que adultera deixa de amar à sua esposa e de considerá-la como pessoa de valor infinito. E deixa também de amar à sua “amante”, tratando-a egoisticamente. Aquele que procura a prostituição, seja ela real ou virtual, não ama aqueles que estão escravizados ao mercado sexual, e tampouco ama a si mesmo; pois se sujeita a ser manipulado e explorado por indivíduos que não tem um pingo de respeito ou preocupação com o seu destino, desde que esvaziem os seus bolsos.

De modo algum eu pretendo dizer com este argumento que não exista o vício sexual; mas sustento que até mesmo o vício tem os seus começos na falta de amor genuíno pelo outro. Todo aquele que sofre com a impureza sexual deve saber, e dizer para si mesmo claramente, que ele não é um pobre coitado, aprisionado por impulsos sexuais e por uma dinâmica biopsíquica ultimamente má inventada por um Criador maldoso. Mil vezes não. A concupiscência existe, sim; mas é uma erva daninha. Ela só cresce quando o amor está ausente. E quando ele está presente, alguma coisa forçosamente mudará. É por isso que Santo Agostinho pôde declarar com tanta confiança: “Ama e faze o que quiseres”.

Problemas oftalmológicos
De acordo com Jesus, a impureza é uma doença dos olhos, de certo modo; um problema oftalmológico, mas altamente infeccioso, a ponto de ele receitar a amputação: “Se o teu olho de faz tropeçar, arranca-o”. Porém, Jesus sabia o que dizia. Ele deixou claro que o que contamina o homem é o que sai do seu coração, não o que entra pela sua boca. A doutrina da “amputação” é uma referência metafórica à mudança dos olhos.

O ser humano tem sérios problemas com os olhos. E eu quero chamar a atenção dos meus companheiros, os homens. Recentemente recebeu alguma cobertura o resultado de uma pesquisa feita na universidade de Princeton, sobre os padrões de resposta neurológica de homens diante de imagens de mulheres. O que Susan Fiske, a diretora da pesquisa descobriu, é que as imagens de mulheres com teor erótico ou sensual, e especialmente as imagens de partes específicas do corpo sem a revelação da face, despertam as mesmas áreas do cérebro masculino tipicamente associadas ao uso de ferramentas e objetos inanimados, ao mesmo tempo em que desativam as partes associadas às relações sociais.

Ou seja, de algum modo a nossa sociedade desenvolveu uma forma de desassociar o interesse sexual da sensibilidade moral a partir da nossa forma de olhar as mulheres. Fomos literalmente submetidos a um maciço treinamento pavloviano para nos acostumarmos a olhar mulheres como objetos, como superfícies materiais sem profundidade pessoal. Nas palavras de Susan Fiske, “eles não as estão tratando como seres humanos tridimensionais”.

Isso é o que acontece quando suprimimos a nossa intuição moral e deixamos de ver pessoas diante de nós. Restam apenas corpos impessoais.

Olhar com amor
Como, então, o amor se manifesta, no que tange à impureza sexual? De novo quero apelar para Paulo: “Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza” (1Tm 5.1).

Paulo sabia muito bem o que estava dizendo. Ninguém pode alegar (a não ser, é claro, em casos evidentemente patológicos) que não sabe o que significa olhar para uma mulher linda e não cobiçar. Basta ter mãe ou irmã -- ou filha, eu diria. Todos nós sabemos muito bem o que é olhar alguém que, biologicamente falando, poderia ser apenas um objeto sexual, mas simplesmente não sentir interesse sexual por causa do amor, de uma relação de respeito e cuidado em que o outro é verdadeiramente reconhecido como pessoa e valorizado incondicionalmente. O amor faz a gente ter um olhar diferente.

Como é que o jovem Timóteo olharia para uma moça com “toda a pureza”? Olhando-a como se fosse uma irmã de sangue. Paulo nos convida aqui a usar a imaginação, e considerar as moças como se fossem irmãs. Ou seja, tomando-as como pessoas, não como objetos. Isso demandará uma revolução, nos dias de hoje, em que somos ensinados a enxergar os corpos humanos como bonecos de plástico. Jovens e adultos, homens e mulheres, olhando para seus pares, amigos e semelhantes como pessoas -- não como nacos de carne, como pernas, bundas e peitos, mas como gente, como humanos com faces, como superfícies físicas de pessoas reais.

Honestamente, preciso dizer a todos os meus companheiros pecadores que não há uma cura completa para essas doenças do olhar, até que a nossa ressurreição seja consumada. Porém, há o que Schaeffer chamava de “cura substancial”. A impureza no olhar tem cura de verdade, embora seja um caminho difícil; pois amar de verdade é ainda mais difícil que reprimir desejos.

Mas, enfim, não há vitória na “pureza” obtida à custa de repressão do desejo. É inútil congelar uma célula morta para que ela não se desfaça. A única solução genuína e de longo prazo para o problema da impureza sexual é ter amor nos olhos.

Parodiando Santo Agostinho, eu diria: “Ama e olha como quiseres”.

Via site Editora Ultimato

novembro 22, 2009

Carta aberta aos subversivos de Jesus

Por Alan Brizotti


Queridos amigos de indignação, paz!
Robinson Cavalcanti escreveu: “Um mundo novo é possível; uma igreja nova é imprescindível”. Eis a ânsia que nos une. Resolvi escrever essa carta (e não a velocidade impessoal do e-mail e seu internetês) porque cartas despertam aquela nostalgia deliciosamente clássica que parece ter sumido dos nossos dias, também porque precisamos cada vez mais estarmos juntos. Nossa força vem do nosso abraço. Nossa unidade é o megafone que potencializa nosso grito.
Algumas pessoa insistem em questionar nosso criticismo (ao invés de questionar seu alvo), então respondo: criticamos não porque vivemos encarcerados numa espiritualidade azeda (ainda que alguns de nós assim estejam), mas porque somos parte do corpo (I Co. 12. 12-27), e o que dói no corpo afeta nossa alma. Criticamos porque não conseguimos olhar para o ambiente eclesiástico com uma irresponsabilidade tatuada de piedade e tolerância, mas sim com a inquietação aprendida do olhar de Jesus: “Vendo ele as multidões”; em Jesus, o olhar constrói.
Tenho percebido que nossas críticas produzem algumas feridas. Contudo, se Jesus Cristo é o “médico dos médicos”, então, o melhor que temos a oferecer são justamente nossas feridas, principalmente quando são geradas pela adocicada fúria do amor: “Fiéis são as feridas feitas pelo que ama, mas os beijos do que odeia são enganosos” (Pv. 27. 6). Nossas feridas não matam, aliás, nem mesmo são feridas, são apenas paradoxos benditos: machucam para sarar.
Ouso fazer um apelo: amigos subversivos, jamais nos esqueçamos da essência da nossa subversão: a centralidade de Cristo acima das ideologias (II Co. 10. 5), a santidade de Deus (Is. 6. 1-7), a prática da oração (I Ts. 5. 17), a meditação nas Escrituras (Sl. 119. 101-106), o cuidado no discipulado que forma o caráter (II Tm. 2) e a afirmação da Cruz de Cristo (I Co. 1. 18). Esse é o nosso baluarte! Essa é a nossa gloriosa herança!
Por favor, meus amigos de gemido, nossa causa é a mais nobre de todas as causas: a luta pela regeneração da igreja! Não se trata de arrogância intelectualóide, mas de temor e tremor. Apenas captamos o chamado do Espírito e adestramos nossas fúrias, canalizando-as para a defesa fiel dos valores do Reino.
Aos empresários da fé, paipóstolos, malandros de púlpito, vagabundos da celestialidade bandida, um aviso: não vamos parar! O que nos une é a certeza feliz de que sempre tem alguém ouvindo e respondendo ao nosso grito!
Por uma igreja verdadeiramente Igreja…

Via Blog Solomon 1

novembro 21, 2009

evangelho UNIVERSAL da prosperidade DO REINO DE DEUS

Babylon - Zeca Baleiro



"...De tudo provar
Champanhe, caviar
Scotch, escargot, rayban
Bye, bye miserê
Kaya now to me
O céu seja aqui
Minha religião é o prazer...

Não tenho dinheiro
Pra pagar a minha yoga
Não tenho dinheiro
Pra bancar a minha droga
Eu não tenho renda
Pra descolar a merenda
Cansei de ser duro
Vou botar minh'alma à venda..."


Tem gente que é assim mesmo vai entender...

Arquétipos

“Amar é estar disposto a morrer, pelo menos ser como um morto – um ausente, não-existente – para aquele que se ama. Indo mais longe, amar é abrir mão de tudo, inclusive de si mesmo. O Diabo quer expandir-se e engolir tudo para tudo chamar de “eu”. Deus quer esvaziar-se. Nós estamos entre estes dois arquétipos: existir em favor do outro, numa parceria de amor ou existir em função do eu, numa guerra tirânica entre egos.”

Ed René Kivitz em Vivendo com Propósitos

Via blog Laion Monteiro

novembro 20, 2009

Larvas e Borboletas!

" É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! "

Antonie de Saint - Exupéry - "O Pequeno Príncipe" -(Editora AGIR)

novembro 18, 2009

Viver no presente

“Se se entender por eternidade, não a duração temporal infinita, mas a atemporalidade, então vive eternamente quem vive no presente.” Ora, como se viveria de outro modo, ou em outro lugar? A eternidade é o lugar de todos nós, e o único. Mas nossos discursos nos separam dela, bem como nossos desejos, bem como nossas esperanças ... No fundo, só estamos separados da eternidade por nós mesmos. Daí a simplicidade, quando o ego se dissolve: não há mais que tudo, e pouco se importa então o nome (“Deus”, “Natureza”, “ser” ...) que alguns quererão lhe dar. Quando não há mais que tudo, para que as palavras, já que tudo não tem nome? O espírito Tao sopra aqui, e essa grande loucura do Oriente me importa mais do que nossas pequenas sabedorias ... O silêncio e a eternidade andam juntos: nada a dizer, nada a explicar, já tudo esta presente.”

André Comte - Sponville - "O Amor e Solidão" -(Editora Martins Fontes)

novembro 05, 2009

Humor negro

Click na imagem!!!!



Via blog Corto Cabelo e Pinto

Momento "Jazz"....(19)

outubro 31, 2009

Momento "Jazz"....(17)

Simplicidade idiota

Por Ariovaldo Jr

Me admira que pessoas prefiram categorizar a vida de modo tão radical e simplista. Como se fôssemos amebas, limitadas a uma constituição unicelular ridícula e totalmente compreensível. Ignoramos até mesmo as complexidades sentimentais e, por isto, frustramos a outros e a nós mesmos na tentativa de encontrar modelos de conduta verdadeiramente aplicáveis na vida prática.

Tentamos fazer do evangelho uma série de regras em que podemos acertadamente dizer “isto é certo” ou “isto é errado”. Como se a vida dada por Deus pudesse ser reduzida a meros erros e acertos. Como se as complexidades de nosso ser tivessem fugido ao controle do Criador.

Apenas a VERDADE pode nos libertar por que ela revela quem somos e o quanto somos incapazes de encontrar uma auto-redenção. Apenas renunciando até à capacidade de acertar, seremos encontrados aptos a genuinamente vivermos a nova vida em Cristo. Aquele que desistiu de não errar, encontra-se na situação ideal e preferida do Redentor.

Mais do que apenas abandonar as velhas práticas, a fé operosa será caracterizada como aquela que possui seu foco em SER aquilo que Cristo diz que devemos ser. Apenas isto.

Aqueles que insistirem em simplificar os processos, concentrando seus esforços na luta contra as práticas da carne, inevitavelmente se frustrarão. Pois a carne sempre vencerá. Não se pode combater fogo com fogo. Por isso, esta é uma luta perdida.

Pra exterminar o fogo, deve-se primeiramente encontrar uma fonte suficiente de água. Pra um fogo incontrolável, uma fonte inesgotável.

Em cada nuance de nossa miséria, complexidade, sentimentos e angústias; em cada pequeno detalhe, podemos sentir a inspiração do Criador.

Em cada gole, em cada respiração. Em cada segundo, a eternidade. Em cada detalhe, o infinito.

Consegue sentar-se com amigos verdadeiros de frente à praia e não sentir-se em casa?

Consegue perceber que há amigos recentes que parecem ser velhos conhecidos?

Consegue ouvir Coldplay e não sentir Deus?

Será que o evangelho realmente o tornou livre o suficiente para que possa compreender o que estou tentando dizer

Via site Ariovaldo

outubro 28, 2009

Quero ser mais humano!

Por Ricardo Gondim


É curioso como, com o passar dos anos e o aproximar da velhice, nossos valores mudam. Posições que ambicionávamos, conquistas que valorizávamos e pessoas que nos impressionavam, perdem seus encantos. Vamos fechando portas atrás de nós, para euforias juvenis e idealismos inconseqüentes. Já não invejamos o triunfo dos insolentes ou o sucesso dos ufanistas. Hoje, ainda sem ser velho, já consigo sentir indiferença para os sonhos mirabolantes dos messiânicos. Confesso que perdi, inclusive, a vontade de ter a última palavra sobre qualquer assunto e não me empolgo com debates que só dão uma falsa sensação de prestígio.

Esse processo começou, quando enfrentei uma crise, lá por volta dos meus quarenta anos. A própria consciência de que vivia na meia idade, me fez desistir de querer ser herói, conquistador, eleito especial ou semi-deus. E de lá para cá, caminho cada vez mais consciente, que muito dos meus esforços lendo, estudando, trabalhando, madrugando e virando noites, para “não perder tempo”, eram vaidade e correr atrás do vento. Olho para trás e percebo que não foi de minhas poucas conquistas ou dos reconhecimentos humanos, que obtive meus melhores contentamentos. Vieram do amor de minha família e de amigos verdadeiros; gente que não temia partilhar o mesmo jugo que eu.

Assim, fiz alguns ajustes. Redirecionei minha leitura bíblica. Mais do que saber os detalhes exegéticos ou técnicos, ansiei que a Palavra me levasse a uma relação mais íntima com Deus. Reli a Bíblia de capa a capa, procurando o coração paterno de Deus. Dialoguei com pessoas que tratam da Espiritualidade Clássica. Recompus minha vida devocional. Aprendi sobre oração contemplativa e redescobri a meditação bíblica. Devorei alguns clássicos como “A Imitação de Cristo” de Tomás de Kempis, “A Volta do Filho Pródigo” de Henry Nowen, “A Montanha dos Sete Patamares” de Thomas Merton e o “Schabat” de Abraham Joshua Heschel. Eles e outros se tornaram meus mentores nessa nova busca interior.

Talvez, a maior descoberta que faço, nesse tempo que antecede o outono de minha vida, é que minha maior vocação é tornar-me mais humano. Desejo aprender a ser generoso e sereno. Almejo rir, risos contagiantes; quero amar coisas simples e contemplar mais a natureza; saber me deliciar com arte; brincar com crianças, ler poemas e ouvir a melhor música. Preciso ser mais empático com o pobre, acolher o perdido e dar minha mão para o abandonado.

Nessa jornada espiritual, perdi o medo de me desnudar e mostrar vulnerabilidade. Outrora, eu temia a censura daqueles que poderiam se escandalizar com minha fragilidade. Tentei, muitas vezes, impressionar as pessoas com discursos valentes, quando, inseguro, pedia que Deus segurasse minha mão. Receava que algum psicólogo detectasse disfuncionalidades em mim e na minha família. Acreditava que, se alguém diagnosticasse meu envolvimento no evangelho como uma fuga, perderia toda credibilidade. Evitava contatos íntimos, para que as pessoas não notassem que eu não era tão “resolvido”, como demonstrava.

Na mitologia grega as sereias eram criaturas de extraordinária beleza e de uma sensualidade irresistível. Quando cantavam, atraíam os navegantes que não conseguiam pelejar contra seu poder de sedução. Obcecados por aquela melodia sobrenatural, os pilotos arremessavam seus navios contra as rochas da ilha, naufragavam, e as sereias devoravam os tripulantes. Os gregos relatam que apenas dois conseguiram vencer o encanto de inimigas tão terríveis. Orfeu, o deus mitológico da música e da poesia, encontrou um recurso. Quando sua embarcação aproximou-se de onde estavam as sereias, ele salvou seus parceiros, tocando uma música ainda mais doce e envolvente do que aquela que vinha da ilha. A outra solução foi encontrada por Ulisses. O herói da Odisséia não possuía talentos artísticos. Sem dons, sabia que não venceria as sereias. Reconhecido de sua fraqueza e falibilidade, concebeu outro plano. No momento em que sua embarcação começasse a se aproximar da ilha sinistra, mandaria que todos os homens tapassem os ouvidos com cera e que o amarrassem ao mastro do navio. Depois que encarou sua fraqueza e incapacidade de enfrentar as armadilhas das sereias, rumou para a ilha conforme o plano. Do mesmo modo, deu ordem aos tripulantes: mesmo que implorasse para que o soltassem, as cordas deveriam ser apertadas ainda mais. Quando chegou a hora, Ulisses foi seduzido pelas sereias como previra, mas seus marinheiros não o libertaram. Quase louco, pedindo para ser solto, passou incólume pelo perigo. O relato mitológico termina afirmando que as sereias, decepcionadas por haverem sido derrotadas por um simples mortal, afogaram-se no mar. O que salvou Ulisses não foi a percepção de sua superioridade, mas a consciência de sua fragilidade. Ele não tentou enganar a si mesmo. Eu também não quero me iludir com os meus dotes órficos. Dependerei que meus amigos me amarrem aos mastros para não ceder aos cantos sirênicos..

Assim, descanso. Sinto-me livre para afirmar que ainda estou em construção. Sou um projeto inacabado e não escamotearei minhas ambigüidades. Agora, quando me sentir cansado, terei liberdade de desabafar como Jesus: “Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los?”. (Mateus 17.17) Quando precisar lamentar, lamentarei, igual a ele, quando, triste e angustiado, disse: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte”. (Mateus 26.37). Quando tiver vontade de rir, rirei e dançarei de alegria.

Hoje, já não me importo de parecer incoerente ou politicamente incorreto. Dizem que os pensamentos dos anciões tendem ao enrijecimento e que os velhos resistem mudar de opinião. Busco não me engessar, apegado às minhas velhas idéias e indiferente às novas. Quero seguir o exemplo de Jesus que, em nome da vida, não temeu contradizer as rígidas normas religiosas – Mateus 12.2-7; não respeitou os preconceitos sociais, quando conversou com prostitutas e acolheu gentios – Marcos 7.24-30; não teve receios de voltar atrás em sua palavra, para atender uma mulher siro-fenícia – Marcos 7.24-30. Permanecerei alerta para não me tornar um dogmático e faccioso; cego por minha obstinação.

Recuso encarnar o personagem de Álvaro de Campo (heterônimo de Fernando Pessoa) no poema “A Tabacaria”. A experiência do poeta foi acordar do próprio passado, como um pesadelo e perceber que perdeu contato com a sua própria alma. Viveu uma mentira da qual não pôde escapar. Perdido de si mesmo, não se encontrou mais.

“Vivi, estudei, amei, e até cri,

E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu...

Fiz de mim o que não soube,

E o que podia fazer de mim não o fiz.

O dominó que vesti era errado.

Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.

Quando quis tirar a máscara,

Estava pegada à cara.

Quando a tirei e me vi no espelho,

Já tinha envelhecido “.

Anseio por uma humanidade não fingida, que não tenta transformar a mensagem do evangelho em um espelho mágico, que fala o que desejo ouvir. Lerei a Bíblia também contra mim. Permitirei que, como espada, ela penetre no mais profundo de meu ser, discernindo, inclusive, as intenções nebulosas de meu coração.

Atenderei a admoestação do profeta Miquéias (6.8): “Ele mostrou a você, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige: pratique a justiça, ame a fidelidade e ande humildemente com o seu Deus”.

Acredito que vem dele, minha teimosia de acreditar que não precisamos esperar morrer para começar a viver. E como passamos rapidamente, sugiro que comecemos já.

Soli Deo Gloria

Via site Ricardo Gondim